Longevidade vira o centro de soluções que ajudam pessoas a manter segurança, mobilidade, independência e vínculos ao longo do envelhecimento
A tendência é que o ser humano viva cada vez mais e o envelhecimento da população já pressiona serviços de saúde, mobilidade, moradia e assistência nos municípios. Mas isso também abre espaço para novos negócios. No ESX 2026, a discussão sobre economia prateada e AgeTechs trouxe uma provocação relevante para o ecossistema capixaba: a inovação voltada à longevidade pode atuar antes que uma perda de autonomia se transforme em urgência de cuidado.
O Espírito Santo tem sinais claros dessa mudança demográfica. O Estado reunia 631,4 mil pessoas com 60 anos ou mais no Censo de 2022, alta de 73,1% em relação a 2010. Também ocupa a sexta posição nacional no índice de envelhecimento, acima da média brasileira. Esse movimento amplia demandas que vão além de consultas e planos de saúde, envolvendo circulação, segurança, moradia, trabalho, lazer e acesso a serviços.
É nesse espaço que surgem as AgeTechs, empresas que desenvolvem tecnologias e serviços voltados ao envelhecimento ativo. O campo inclui ferramentas de prevenção a fraudes financeiras, plataformas para redes de cuidado, soluções para adaptação de casas, recursos de mobilidade, acompanhamento de saúde, estímulo cognitivo e conexão social. A lógica não é tratar a pessoa madura apenas como paciente, mas apoiar escolhas e rotinas que sustentem independência por mais tempo.
O desafio, porém, não é tecnológico apenas. Uma solução que monitora sinais de saúde, facilita um pagamento ou conecta familiares só gera valor quando respeita hábitos, privacidade e diferentes níveis de familiaridade digital. O público acima dos 60 anos não é homogêneo: reúne pessoas que trabalham, empreendem, cuidam de familiares, viajam, estudam, vivem sozinhas ou dependem de redes mais próximas de apoio.
O Brasil já tinha 35,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no último ano, e cerca de uma em cada quatro permanecia ocupada. Dados do IBGE mostram que a população com mais de 60 anos cresceu de 11,3%, em 2012, para 16,6%, em 2025, ilustrando a tendência de envelhecimento populacional. Esses dados ajudam a deslocar a discussão sobre longevidade de uma lógica exclusivamente assistencial para uma agenda de consumo, trabalho, autonomia e participação econômica.
Para startups e empresas do Espírito Santo, a oportunidade está em formular problemas mais específicos. Como tornar uma casa mais segura sem reduzir liberdade? Como facilitar deslocamentos sem infantilizar o usuário? Como reduzir o risco de golpes sem criar barreiras excessivas? Como apoiar cuidadores sem transferir toda a responsabilidade para famílias? As respostas podem vir de tecnologia, mas também de novos serviços, modelos de atendimento e experiências desenhadas para uma população que vive mais e quer continuar decidindo sobre a própria vida.