Cidades inteligentes: algoritmos podem ajudar na antecipação e na redução de problemas

Dados preditivos podem apoiar manutenção, mobilidade e resposta a riscos, desde que a gestão consiga transformar alertas em ação

Em 2025, Vitória foi reconhecida como a cidade mais inteligente e conectada do país no Ranking Connected Smart Cities. O resultado ajuda a contextualizar um debate que ganhou destaque no ESX 2026, em painéis sobre cidades inteligentes: como usar dados não apenas para registrar o que já aconteceu, mas para enfrentar desafios atuais e identificar sinais de problemas antes que eles se agravem?

Chamados de cidadãos, fluxo de trânsito, histórico de alagamentos, sensores, dados climáticos, iluminação, manutenção de vias, atendimentos de saúde e registros de ocorrências podem revelar padrões. Quando essas informações são organizadas e comparadas ao longo do tempo, ajudam a indicar onde uma demanda tende a crescer, que serviço pode ficar sobrecarregado ou qual ponto da cidade exige atenção antes de uma falha.

No Brasil, o Governo Federal define cidades inteligentes como cidades comprometidas com o desenvolvimento urbano e a transformação digital sustentáveis, em seus aspectos econômico, ambiental e sociocultural. São cidades que atuam de forma planejada, inovadora, inclusiva e em rede, promovem letramento digital, governança e gestão colaborativa e utilizam tecnologias para solucionar problemas concretos, criar oportunidades, oferecer serviços com eficiência, reduzir desigualdades, aumentar a resiliência e melhorar a qualidade de vida, com uso seguro e responsável de dados e tecnologias da informação e comunicação.

No ESX, startups como a SIGFOU, voltada à fiscalização urbana de obras, a Collect Machine, focada na gestão de resíduos sólidos, e a GeoRecicla, que usa tecnologia para dar visibilidade a catadores e cooperativas, mostram como dados e plataformas digitais podem qualificar a leitura de problemas urbanos. Elas não substituem a gestão pública, mas podem ampliar a capacidade de registrar ocorrências, acompanhar operações e identificar pontos de atenção em áreas como fiscalização, resíduos, serviços ambientais e valorização dos profissionais que atuam nessas cadeias.

Algoritmos também podem apoiar decisões sobre mobilidade, drenagem, limpeza urbana, poda de árvores, manutenção de equipamentos públicos e resposta a chuvas fortes. Eles não substituem gestores, equipes de campo ou orçamento disponível. Podem, porém, indicar recorrências, prioridades e riscos. Sua utilidade depende da capacidade do município de interpretar os alertas e agir a partir deles.

A própria Carta Brasileira para Cidades Inteligentes, iniciativa da Coordenação-Geral de Apoio à Gestão Regional e Urbana da Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano do então Ministério do Desenvolvimento Regional, reforça que a transformação digital urbana exige governança de dados e tecnologias com transparência, segurança e privacidade.

Para os municípios capixabas, o desafio não é apenas adotar sistemas preditivos, mas integrar áreas, registrar problemas com consistência e estabelecer processos capazes de converter informação em resposta. Algoritmos podem ajudar cidades a enxergar antes. A diferença aparece quando existe estrutura para responder.

Foto: Setur-ES