No ecossistema capixaba, o desafio não é apenas medir performance, mas transformar informação em decisão de negócio
Em empresas de todos os portes, indicadores de vendas, campanhas, clientes, custos e operações já circulam por planilhas, CRMs, plataformas e dashboards. O problema é que informação disponível não significa decisão melhor. Essa distância entre acumular informações e usá-las para corrigir rotas esteve em pauta no workshop sobre cultura data-driven (orientada por dados) e performance digital, realizado no ESX 2026, que ilustrou como funciona a análise de performance e tomada de decisão orientada por métricas.
Cultura orientada por dados não é simplesmente reunir relatórios organizados, criar KPIs, preencher planilhas ou abrir um painel antes de uma reunião. É criar condições para que indicadores confiáveis sejam acessíveis, compreendidos e incorporados às decisões de marketing, vendas, atendimento, operações, produto e finanças. Isso exige qualidade de dados, critérios claros, governança, capacitação e disposição para rever hipóteses quando os números apontam outra direção.
Isso importa ainda mais com o uso de novas ferramentas na rotina do trabalho. Como buscar a máxima eficácia de uma ferramenta como a inteligência artificial se os dados disponíveis não são utilizados na tomada de decisões?
Essa distância entre acesso a dados e uso aparece, por exemplo, em uma pesquisa realizada pelo MIT CISR. Foi constatado que, em média, apenas 28% dos colaboradores de usam ativos de dados reutilizáveis de clientes, operações, custos e desempenho de processos. Em outras palavras, muitas organizações já possuem informações, mas elas não chegam de forma estruturada a quem precisa decidir, priorizar ou corrigir ações no dia a dia.
A maturidade analítica começa quando dado deixa de ser material de relatório e passa a orientar escolhas. A Gartner mostrou, em recente pesquisa, que organizações com iniciativas de IA bem-sucedidas investem proporcionalmente até quatro vezes mais em bases como qualidade de dados, governança, pessoas preparadas e gestão da mudança. Para o ecossistema capixaba, a provocação é direta: a vantagem não estará apenas em ter mais dados ou acesso a ferramentas, mas em construir uma cultura data-driven, onde as perguntas certas encontrarão, nos dados, as respostas necessárias.