Governança, metas e critérios de priorização ajudam negócios a transformar projetos dispersos em resultados concretos e mensuráveis
No Espírito Santo, discussões sobre inovação, competitividade e novos negócios compuseram a programação do ESX 2026 e seguem em pauta. Algumas perguntas foram repetidas em diferentes painéis e bate-papos, destinadas a empresas de todos os portes: como garantir que uma boa ideia não morra depois da reunião, do pitch ou daquele entusiasmo inicial? E como transformar essa ideia em projeto eficiente, que traga resultados e lucro real?
O desafio não está apenas em criar produtos, serviços ou processos novos. Mas também em decidir quais problemas merecem atenção, quem responde por cada etapa e como medir se o esforço trouxe retorno. Sem esse percurso, a inovação pode até existir, mas perde a força e tende a ficar descentralizada entre áreas, depender de lideranças específicas ou mesmo ser interrompida quando outra urgência aparece.
Um levantamento da AEVO com gestores de 212 empresas brasileiras ajuda a dimensionar esse cenário. Segundo o estudo, 60,1% das companhias não contam com uma estrutura formal de governança para inovação, enquanto 70,4% operam sem uma estratégia compartilhada entre áreas. O dado revela uma distância entre querer inovar e conseguir transformar inovação em prática de gestão.
Governança, nesse contexto, não é sinônimo de burocracia. É a definição de um caminho: qual problema será enfrentado, qual área lidera o projeto, que recursos serão mobilizados, qual teste será feito primeiro e que sinal indicará se vale continuar. Pode ser redução de retrabalho, ganho de produtividade, economia de recursos, aumento de receita ou melhoria na experiência do cliente.
Para negócios capixabas, isso não exige necessariamente a criação de uma grande estrutura interna. Uma empresa menor pode começar por um responsável, uma agenda curta de prioridades e revisões periódicas. Em organizações maiores, o modelo pode incluir comitês, orçamento próprio, portfólio de iniciativas e metas conectadas ao planejamento estratégico.
Quando a inovação ganha método, ela deixa de competir apenas por atenção dentro da empresa. Passa a ter responsáveis, critérios e continuidade. E a se desenvolver. É nesse momento que ideias deixam de ser iniciativas pontuais para se tornar parte da forma como o negócio decide, aprende e cresce. A sua empresa pensa em governança na inovação?