Inovação e ESG: diversidade é garantir novas formas de fazer perguntas

Equipes com repertórios diferentes tendem a enxergar problemas, riscos e soluções que grupos homogêneos podem deixar passar

A relação entre diversidade, inovação e ESG esteve em pauta nos painéis sobre futuro do trabalho e ESG do ESX 2026. Essa discussão tem avançado para além das metas de representatividade e dos indicadores corporativos e, é claro, não dá para desassociar o tema da inovação. A capacidade de ampliar perspectivas, identificar desafios sob diferentes ângulos e qualificar as perguntas que orientam decisões estratégicas é fundamental para encontrar novas soluções.

Em ambientes de inovação, a diversidade pode mudar a qualidade das perguntas feitas antes que uma empresa, startup ou instituição decida qual problema pretende resolver. Essa diferença importa porque inovação não começa na ferramenta, no produto ou na tecnologia. Começa na formulação correta do problema, como ensina o especialista Thomas Wedell-Wedellsborg no livro “Qual é o seu problema?”, publicado no Brasil pelo selo Benvirá, da editora Saraiva Educação.

Quando uma equipe reúne pessoas com trajetórias muito parecidas, tende a observar riscos, usuários, territórios e oportunidades pelos mesmos ângulos. Wedell-Wedellsborg mostrar que adquirir a habilidade de recontextualização ajuda a enxergar problemas de outras maneiras e a encontrar soluções melhores. Quando há repertórios distintos na mesa, surgem perguntas que talvez não aparecessem em um grupo homogêneo: quem ficou de fora, que barreiras existem, que uso real essa solução terá, que impacto ela gera e que risco não foi considerado antes, por exemplo.

A agenda ESG ajuda a organizar essa discussão. Diversidade não deve ser tratada apenas como item de relatório ou obrigatoriedade. Ela mostra sua força quando chega aos espaços de decisão, influencia desenho de produtos, políticas internas, relacionamento com comunidades, gestão de risco e inovação aberta. Diferentes pessoas passam a participar de discussões sobre questões estratégicas.

Pesquisas recentes reforçam essa leitura. A Pesquisa Ethos/Época de Diversidade, Equidade e Inclusão 2024/2025 aponta caminhos para fortalecer a diversidade como vetor de inovação e competitividade nas empresas brasileiras. Estudos internacionais de 2026 também indicam que equipes capazes de conectar diferentes comunidades de conhecimento têm maior potencial de gerar inovação disruptiva e que, em projetos de IA, a diversidade ajuda a identificar vieses, ampliar empatia e melhorar a resolução de problemas.

Para o ecossistema capixaba, essa discussão tem aplicação prática. Inovar em educação, saúde, agro, turismo, cidades, tecnologia ou sustentabilidade exige entender públicos, territórios e dores diferentes. Diversidade, nesse sentido, não é apenas uma pauta de inclusão. É um método para perguntar melhor antes de construir soluções que pretendem servir a mais gente. E é importante lembrar: a disrupção vai acontecer com a tecnologia, mas a transformação vai acontecer com pessoas.