Mais do que recurso tecnológico, a tecnologia pode funcionar como ponte entre curiosidade, ciência, pensamento crítico e formação para o futuro
A robótica tem conquistado mais espaço, com o avanço da inteligência artificial e da automação, ampliando o debate sobre a formação de crianças e adolescentes em um mundo cada vez mais digital. Mais do que ensinar o funcionamento de robôs, a robótica educacional busca estimular criatividade, pensamento crítico, colaboração e capacidade de adaptação.
O Espírito Santo mostra, na prática, como isso pode funcionar. O ESX 2026 foi um evento de imersão de três dias em inovação e tecnologia, aberto à comunidade, e contou com a participação expressiva de crianças e adolescentes. Lá eles puderam interagir com robôs humanoides, cão-robô e outros tipos de tecnologia, além de ter contato com startups como a ClubRobot, que produz kits exclusivos de robótica e uma plataforma de ensino interativa para estimular a criatividade, a programação e o trabalho colaborativo a partir dos 5 anos de idade.
Esse tema dialoga diretamente com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que incorporou competências relacionadas à cultura digital, ao pensamento computacional e à resolução de problemas, incentivando o uso de metodologias que aproximem os estudantes da tecnologia de forma prática.
No estado, programas como o IFES Mais Ciência na Escola, que leva atividades de ciência, tecnologia e inovação para estudantes da rede municipal, estão presentes em escolas em diferentes municípios, como Guarapari, Serra, Viana e Vila Velha, na região da Grande Vitória, além de Alfredo Chaves, Anchieta, Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, Piúma, São Mateus e Venda Nova do Imigrante. Baseado na metodologia STEAM, que reúne Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, o projeto inclui experiências em laboratório maker, desenvolvimento de jogos, eletrônica e construção de foguetes, aproximando os alunos de conhecimentos relacionados à programação, à criatividade e à resolução de problemas.
Na capital, a Escola de Inovação, um dos Centros de Ciência, Educação e Cultura (CCEC) de Vitória, proporciona lazer e aprendizado com oficinas científicas. Ao mesmo tempo, o Núcleo de Robótica e Matemática da Secretaria Municipal de Educação, em funcionamento na Escola da Ciência Física, permite que alunos tenham a oportunidade de se envolver com conceitos matemáticos e físicos.
A relevância do tema aparece também em pesquisas recentes, como o levantamento global da LEGO Education, que identificou que 69% dos professores consideram a alfabetização em inteligência artificial essencial para o futuro dos alunos. Ao mesmo tempo, 40% afirmam que suas escolas ainda não estão preparadas para abordar o tema de forma adequada. Os dados mostram que a questão vai além da adoção de novas ferramentas e envolve a preparação dos estudantes para lidar com mudanças tecnológicas cada vez mais presentes no cotidiano.
Esse assunto ganha ainda mais força em um contexto de rápidas transformações tecnológicas. Mas ampliar o acesso a essas oportunidades permanece como um desafio, especialmente na rede pública de ensino, onde infraestrutura, equipamentos e capacitação de professores ainda limitam a expansão dessas iniciativas. O Espírito Santo já apresenta engajamento com o tema, mas ainda há espaço para outras iniciativas.
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