Turismo e inovação: a tecnologia não precisa caber apenas nas telas

Experiências imersivas, dados e integração de serviços podem aproximar visitantes e cidadãos da riqueza cultural e dos espaços urbanos dos destinos

A inovação no turismo passa cada vez mais pelo uso estratégico de tecnologias e da coleta de dados, que poderão ser transformados em novos modelos de experiência tanto para qualificar a gestão dos destinos, quanto ampliar o valor percebido por visitantes e moradores. Muito além de aplicativos, totens ou adoção de ferramentas digitais, o turismo inovador propõe experiências imersivas que fortaleçam a relação entre as pessoas e o território, gerando valor para atrativos turísticos, como praias, parques e centros históricos; para negócios locais, como hotéis, restaurantes e agências de turismo; bem como para equipamentos culturais, como museus, teatros e centros de memória.

Seja em uma projeção sobre um prédio histórico ou em um audioguia que conta a memória de uma rua, em realidade aumentada aplicada a um museu ou em um roteiro digital que ajuda o visitante a entender sobre uma festa popular, seja em ferramentas que organizam informações sobre transporte, hospedagem, gastronomia e atrativos, a inovação pode estar presente em todos os lugares. O recurso importa menos do que sua capacidade de melhorar a experiência do visitante e expandir a leitura do lugar.

Essa discussão se conecta também à agenda de Destinos Turísticos Inteligentes. Novas tecnologias podem ajudar cidades a usarem dados para entender fluxos de visitantes, qualificar serviços, reduzir gargalos de deslocamento, ampliar acessibilidade, integrar a cadeia turística e criar experiências mais consistentes antes, durante e depois de uma estadia, sem se esquecer da qualidade de vida do morador. Não se trata apenas de encantar o turista, mas de organizar melhor o destino e respeitar também aqueles que vivem no local.

Para cidades capixabas, o potencial está em revelar camadas que muitas vezes passam despercebidas. O potencial turístico é gigantesco. Um centro histórico, uma praça, uma praia, uma montanha, uma aldeia, uma rota gastronômica ou uma área portuária podem ganhar novas leituras quando tecnologia, curadoria e memória trabalham juntas. No ESX 2026, algumas startups mostram como conectar o uso de telas com a imersão em novas vivências. A VIBES, por exemplo, se apresenta como um ecossistema de tecnologia para lazer e turismo, que conecta pessoas, destinos, empreendedores e experiências, trazendo informações sobre eventos, rotas, circuitos ou outras possibilidades próximas, com base em geolocalização.

A Bóora! é outra novidade que, com plataforma inicialmente atuante no município de Guarapari, visa potencializar o trade turístico, agentes de Economia Criativa e produtores locais. Já a VRTour é um estúdio criativo especializado em transformar espaços reais em experiências digitais imersivas. Unindo tecnologia, arte e estratégia, a startup proporciona tours virtuais interativos e outros serviços para dar mais visibilidade a negócios locais e espaços turísticos.

A inovação turística soma conteúdo atual, acessibilidade, manutenção, integração com negócios locais e sentido público. De outra forma, será apenas vitrine e atração passageira. Novas ideias podem ajudar as pessoas circularem melhor pelas cidades e vilarejos, compreenderem mais as riquezas culturais e belezas naturais do território, acessarem serviços com menos fricção e saírem do ES com a sensação de uma experiência bem vivida. O ecossistema capixaba tem a oportunidade diária de olhar para dentro do próprio estado e se perguntar: como alguém pode vivenciar ainda mais as maravilhas do Espírito Santo?

Foto: Setur-ES