O profissional de alto impacto na era da IA

Contribuidores individuais podem ganhar relevância quando usam tecnologia para ampliar entrega, julgamento e autonomia

A inteligência artificial começou a transformar não apenas as ferramentas de trabalho, mas também a forma como as empresas reconhecem talento. Em um mercado que pressiona por produtividade, seja no Espírito Santo ou no resto mundo, o profissional de alto impacto tende a ser menos definido pelo cargo que ocupa e mais pela capacidade de resolver problemas relevantes com autonomia, repertório e uso inteligente da tecnologia.

Esse foi um papo recorrente em diferentes painéis durante os três dias do ESX 2026! Esse perfil de profissional não precisa ocupar uma posição formal de liderança. Pode ser alguém que domina uma área, entende o negócio, sabe formular boas perguntas e usa IA para acelerar análises, organizar informações, testar hipóteses, produzir entregas melhores e apoiar decisões. A diferença está em multiplicar com alta qualidade, não apenas no volume.

A discussão ganha força porque a IA ainda é usada de forma desigual no trabalho. Quem poderá ser esse profissional de alto impacto? Um levantamento da Gallup mostrou que líderes e gestores usam IA com mais frequência do que contribuidores individuais. Ao mesmo tempo, o Work Trend Index 2025 aponta que 72% da força de trabalho no Brasil relata falta de tempo ou energia. Há, portanto, uma relevante lacuna entre o potencial da ferramenta e sua aplicação produtiva na rotina.

Para empresas capixabas, isso abre uma questão importante sobre gestão de talentos. Em vez de olhar apenas para a hierarquia, talvez seja preciso identificar quem tem hoje acesso às ferramentas e consegue, de fato, transformar resultados: reduzir retrabalho, melhorar processos, conectar áreas, interpretar dados e entregar com mais consistência. Esses profissionais podem ser o caminho para a inovação, mesmo sem comandar equipes.

Mas é preciso se atentar para não correr o risco de confundir alto impacto com hiperprodutividade. Usar IA para fazer mais coisas de baixa qualidade não resolverá o problema. O profissional mais valioso será aquele que combina velocidade com critérios rigorosos. Na era da IA, o impacto não está em parecer ocupado, e sim em resolver melhor o que realmente importa.