Nesverso: Nestlé ensina que é possível transformar a capacitação entre colaboradores

Com plataforma gamificada em cinco fábricas brasileiras, a empresa prova que engajamento em capacitação industrial é possível, mensurável e pode nascer do contato com colaboradores

A Nestlé desenvolveu, em parceria com a Solversys, uma plataforma gamificada com 156 trilhas de aprendizado que opera em cinco fábricas brasileiras, incluindo a Fábrica Garoto, em Vila Velha. Ela registrou 20 minutos de permanência voluntária média por sessão. Em ambiente industrial, esse é um número que merece atenção: significa que as pessoas usam a plataforma porque querem, não apenas porque são obrigadas. E a ideia não veio de consultoria externa nem de benchmarking internacional; nasceu de sugestões dos próprios colaboradores das fábricas, pessoas que conheciam os problemas do treinamento porque os viviam diariamente. Esse dado muda a forma de se pensar capacitação corporativa e pode gerar oportunidades para as edtechs capixabas.

O case Nestlé indica que esse tipo de solução, quando bem executada, gera adesão e engajamento mensurável. O resultado também é visível: melhor desempenho individual e coletivo, produtividade impulsionada, mais inovação e retenção de talentos. Para indústrias capixabas nos setores de energia, logística e agroindústria, por exemplo, quanto do desempenho aquém do esperado na operação ou da rotatividade pode ser, na prática, um problema de conhecimento não estruturado? As equipes têm um canal seguro para compartilhar o que não funciona? E quando o fazem, a gestão absorve a informação e a transforma em melhoria de processo? Feedback que vira produto gera vantagem competitiva.

Para as edtechs capixabas que desenvolvem soluções corporativas, esse pode ser uma ponte para a inovação e oportunidade para novos clientes. A Nestlé não comprou uma plataforma pronta: cocriou com quem ia usar. Esse caminho encurta o tempo de adoção, reduz o risco de rejeição e entrega um produto que o cliente reconhece como seu. E como a capacitação corporativa está ligada ao desenvolvimento regional, isso pode se tornar um ativo estratégico para empresas de diferentes portes.

O ecossistema capixaba reúne empresas em diferentes estágios de maturidade e apresenta startups que desenvolvem soluções de educação corporativa e gestão de pessoas. Grandes indústrias com operações distribuídas, alta rotatividade e necessidade de padronização de conhecimento são clientes com problema já identificado. Há espaço para que possam desenvolver novidades e dominar esse amplo mercado.