Case da Embraer ensina novas formas de utilizar IA no ecossistema de inovação

Com um sistema que mudou a capacidade de decisão na cadeia de suprimentos, a multinacional mostra, na prática e por meio de um trabalho detalhado, como a inteligência artificial pode aumentar a eficiência operacional de um negócio

A Embraer, em parceria com a Aquarela Analytics, passou dez meses analisando mais de dois terabytes de dados da sua cadeia de suprimentos para desenvolver o Smart Planning, sistema de inteligência artificial que usa modelos de predição para antecipar faltas e excessos de materiais no processo produtivo, otimizar estoque e reduzir custos. Fugindo da lógica de um uso imediato da IA para solucionar problemas, a empresa mergulhou na construção de um sistema robusto, por meio de avaliação detalhada, que estabelecerá uma base sólida para futuras inovações na cadeia de suprimentos.

Para o ecossistema capixaba, esse case tem valor prático. Muitas empresas locais ainda tratam inteligência artificial como projeto piloto, iniciativa de comunicação ou apoio na execução de tarefas básicas, mas sem objetivos claros. O que o case da Embraer evidencia é outra lógica: IA aplicada a problemas reais, usada para a construção de um sistema a partir de um escopo que cresce à medida que os resultados aparecem, numa abordagem que combina metodologia ágil e cultura analítica. O resultado é uma nova capacidade de decisão instalada na empresa.

O que diferencia esse projeto de outras iniciativas é a escolha do problema. A Embraer não começou pela tecnologia. Começou pela dor operacional: a dificuldade de prever, com precisão, o que seria necessário na linha de produção. A IA veio como resposta a uma pergunta bem formulada, não como resposta a uma tendência de mercado ou a questões imediatas. Essa sequência, problema real antes de solução tecnológica, é o que determina se um projeto de IA gera resultado com potencial duradouro ou apenas apaga incêndios e gera conteúdos para apresentação.

A pergunta que esse case coloca para gestores e líderes capixabas é direta: quais processos da sua empresa acumulam dados suficientes para sustentar um projeto desse tipo? Em logística, energia, agroindústria ou serviços, a resposta, na maioria dos casos, é que os dados já existem. Mas ainda falta, em geral, a decisão de apurá-los para usá-los com método e de forma estratégica.


Esse debate chega para o ecossistema capixaba no ESX Collab 2026! Dia 10 de junho, das 16h às 18h, na Base27, Giuliano Mendonça, responsável pela estratégia de inteligência artificial da Embraer, apresenta a trajetória da companhia na adoção de IA, abordando eficiência operacional, produtividade e tomada de decisão baseada em dados. Entrada gratuita. A inscrição pode ser realizada aqui.

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