O ES está entre os principais hubs logísticos do Brasil, mas startups e soluções inovadoras ainda não ocuparam o espaço crescente que o setor oferece
O Espírito Santo movimenta mais de 137 milhões de toneladas pelos seus portos ao ano e sua corrente de comércio exterior representa cerca de 52,7% do PIB estadual, quase o dobro da média nacional, segundo o Instituto Jones dos Santos Neves. Localização estratégica, infraestrutura portuária robusta e ambiente competitivo de incentivos fiscais colocam o estado entre os principais hubs logísticos do Brasil. O que ainda não acompanhou esse ritmo foi o ecossistema de inovação: segundo o estudo local “Panorama da Inovação 2026”, logística sequer aparece entre os cinco segmentos com mais startups no país, e isso se reflete no ES.
Uma oportunidade para debater tendências e oportunidades da cadeia logística capixaba será a Modal Expo 2026, que acontece de 16 a 18 de junho no Pavilhão de Carapina, na Serra. A segunda edição do evento chega com credencial: em 2025, ele reuniu mais de 7 mil visitantes de 22 estados, movimentou projeção de R$ 65 milhões em negócios e contou com mais de 100 marcas expositoras. O setor está em movimento. O ecossistema de inovação capixaba ainda não segue o mesmo ritmo.
Num contexto geral, o ES concentra apenas 2,7% das startups ativas no Brasil, segundo o Startup Landscape 2025, da Liga Ventures. Para um estado cuja economia é estruturada sobre movimentação de cargas, infraestrutura portuária e comércio exterior, a distância entre o que o setor representa e o que o ecossistema de inovação ocupa nele é um indicador importante.
O atacado distribuidor responde por 29,2% da arrecadação estadual, o maior percentual entre todos os segmentos, e o transporte rodoviário é responsável por mais de 60% da movimentação de cargas. A cadeia logística não é apenas um nicho no ES, mas uma parte estrutural da economia. E estrutura dessa escala gera demanda real por eficiência, tecnologia e integração entre modais. Startups, desenvolvedores e investidores que ainda não olharam para esse mercado estão ignorando um dos setores mais relevantes da economia capixaba.
Esse caminho não exige “reinvenção da roda”. A McKinsey aponta que programas estruturados de inovação incremental geram aumentos de 15% a 30% na produtividade e reduções de 30% a 50% em falhas operacionais em ciclos de 6 a 18 meses. Para empresas de transporte, distribuição e comércio exterior, isso se traduz em eficiência mensurável. O mercado está dado. Como o ES pode ocupar esse espaço?